● Um pouco de ... Luis Cohen Fusé* (1944).



















   *: Artista plástico e pintor hispano-argentino.













                                    ● Imagens... Vintage.

(Kay Francis,1928.)













   Caminhando ...











“ Caminhando contra o vento sem lenço
e sem documento.
No sol de quase dezembro eu vou. (...).
Eu quero seguir vivendo. Eu vou.
Por que não. Por que não?  ”

                                       (Caetano Veloso).















● Uma visão de Arte... Uma porta.


(Cazã. República do Tartaristão, Rússia)










    Nas redes sociais.














    Justiceiros e loucos por protagonismo.
        Mostram seu subconsciente.

                                                “ Estamos nos perguntando, em relação às redes sociais, se elas melhoram a convivência, se são úteis, se aumentam ou diminuem a capacidade de raciocínio das pessoas.
Não há dúvidas de que elas agilizaram o comércio, o imediatismo e as chicotadas da opinião pública.
Ao estarmos sempre com os celulares, somos receptores perpétuos, emissores constantes, oferecemos uma série de interesses para quem quiser especular com eles.
Nos últimos tempos também descobrimos que os celulares servem para exibir o nosso subconsciente.
Até agora o subconsciente era uma coisa que guardávamos para nós mesmos, nem éramos capazes de acessá-lo e às vezes tínhamos que recorrer à hipnose, ao álcool ou à psiquiatria.
Expor o subconsciente era uma tarefa de desinibição que exigia um esforço às vezes dramático, como se tivéssemos que intervir com um bisturi em nossas próprias vísceras.
Mas graças ao celular, o subconsciente está agora nas redes, nos bate-papos, nas mensagens mais cotidianas.
Ficamos surpresos até mesmo com a facilidade com que muitas pessoas se mostram em público ou nessa privacidade fingida das redes.
Não têm receio de levar sua pré-consciência para dar um passeio em uma exibição grotesca.
Nem é preciso que um juiz ordene a intervenção das ligações para ver essas conversas que fazem parte da nova era da nudez.
Da nudez roubada em uma praia passamos à nudez das conversas vazadas de processos e investigações. É o novo pornô, espiar a intimidade de dirigentes, corruptos, lobistas e galãs.
Mas existe essa outra nudez voluntária que é a de ver o subconsciente de muitos que a levaram para passear.
Todos que comemoram a morte de alguém, todos esses justiceiros das redes, todos esses loucos por protagonismo estão mostrando seu subconsciente inclusive através da piada mais absurda, do comentário mais inútil, do insulto mais brincalhão.
 Pegue o meu subconsciente, é o que estão dizendo.
(...).Aí está meu subconsciente. Os estupradores, os que superam os limites de trânsito, os que matam animais indefesos, qualquer transgressão, se não estiver na rede, perde potência.
Só que não estávamos preparados, como sociedade, para descobrir que tanto subconsciente é criminoso e repugnante.
É bom vê-lo, ainda que o nojo seja notável.

Por David Rodríguez Trueba (1969).
Escritor, jornalista, diretor de cinema,
roteirista e ator espanhol. 

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● Uma visão de Arte... Uma janela.


(Buenos Aires, Argentina).













         Eu não pertenço a este lugar.







Era um restaurante popular e estava com todas as mesas lotadas, a maioria delas ocupadas por dois casais, algumas com um casal e dois filhos. A mesa em que eu estava era maior: cinco adultos e três adolescentes. Nem 15 minutos de conversa e eu já não entendia o que fazia ali. Estava alheia aos assuntos e não achava graça das piadas. Até que um dos adultos disse algo detestável, e eu pensei:
 “Não pertenço a este lugar”.
Lembrei a minha casa, o meu quarto, a minha cama, onde eu preferiria estar. Preciso ir embora. Preciso chamar um táxi. A comida está vindo, o garçom já colocou o prato servido à minha frente, é agora, levanta e vai. Mas não levantei.
Não foi, nem de longe, a pior noite da minha vida. Já estive em vários outros lugares a que eu não pertencia. Uma missa rezada por um pastor mal-intencionado. Um escritório com gente estressada trabalhando até tarde. Uma entrevista que dei para um jornalista que induzia as minhas respostas. Uma festa num clube sofisticado onde as pessoas só falavam em dinheiro. Um quarto úmido de hotel, com as paredes descascadas e luz branca no teto. Um carro de madrugada lotado de garotos bêbados.
Quando puder, saí mais cedo, saí antes do fim, mas nunca fui embora durante o apogeu de um acontecimento, como uma noiva que abandona o altar. Nunca fiz da minha retirada um gesto político, audacioso e inesperado. Sempre fui daquelas mulheres que, uma vez dito sim, mantinha meu sim até o limite da educação – mesmo quando o meu sim já tinha virado, dentro de mim, um não.
Pra ser gentil, me senti estrangeira várias vezes sem estar viajando.
Pode ser suportável, mas nem sempre.
Cortesia demais nos desintegra.
Se alguém te oferece um baseado, é só dizer “não, obrigado”, caso não seja chegado.
Se alguém te tira pra dançar, é só dizer “não, obrigada”, caso esteja cansada.
Alguém ao teu lado diz que buzinar é coisa de preto, discorde e denuncie o racismo, em vez de ficar num silêncio conivente.
E toque a vida pra frente, elegantemente.
(...).
“Eu não pertenço a este lugar.”
A cada vez que essa frase grudar em seu pensamento a ponto de gerar desconforto, levante,
se despeça e agradeça por você ter coragem para decidir,
pernas para sair e sua dignidade aguardando lá fora.
                      por Martha Medeiros. (jornalista e escritora brasileira)


► Ilustração: Gilmar Fraga.














      ● Uma visão de Arte... e a rua.

                                               (Criação: Luis Gómez de Teran. Roma, Itália).












A Adormecida (“ La Dormeuse”)


Que segredo incandesces no peito, minha amiga,
Alma por doce máscara aspirando a flor?
De que alimentos vãos teu cândido calor
Gera essa irradiação: mulher adormecida?

Sopro, sonhos, silêncio, invencível quebranto,
Tu triunfas, ó paz mais potente que um  pranto,
Quando de um pleno sono a onda grave e estendida
Conspira sobre o seio de tal inimiga.

Dorme, dourada soma: sombras e abandono,
De tais dons cumulou-se esse temível sono,
Corça languidamente longa além do laço,

Que embora a alma ausente, em luta nos desertos,
Tua forma ao ventre puro, que veste um fluido braço,
Vela. Tua forma vela, e meus olhos: abertos. "

                             Por Paul Valery*




*: Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry. (1871-1945)
Filósofo, escritor e poeta francês.
● Tradução de Augusto de Campos (1931)  poema
publicado em “Lingua viagem”. Editora Schwarcz,
São Paulo, 1987.
● Imagem: Pintor húngaro Pandy Lajos (1895-1957).
● Fonte do texto:  https://viciodapoesia.com/












        ● “Tô de olho em vocês!  … 


      (Peru)

                                                          que planeta vocês irão nos deixar?.
















                                                                              Magia ...



“A única magia que existe é estarmos vivos
              e não entendermos nada disso.
A única magia que existe é
                                  a nossa incompreensão.”

                                                (Caio Fernando Abreu)*


*: Caio Fernando Loureiro de Abreu (1948-1996).
Jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro.














● Uma visão de Arte... Uma porta.


                                                                (Görlitz, Saxony. Alemanha).















● Uma visão de Arte. 
Uma fotografia de...
                                           Stephanie Sinclair.*


“Meninas na aldeia de Masanga”. Serra Leoa.


 *: National Geographic. Publicada em
 " For These Girls, Danger Is a Way of Life ",

em janeiro de 2017.











● Uma visão de Arte... e a rua.

(Lima, Peru).










                                      ● Um pouco de ...  Pablo Picasso.

("O velho guitarrista cego", 1903)













                                                          ● Imagens... Vintage.






























● Gente... do planeta.

                                                                             (Região de Trakya. Turquia).














        Ser Jovem.
             A utopia vazia do nosso tempo

                      ("Utopia". Gregor Ziolkowski).

Ser jovem está na moda.
A gente quase não pode ser outra coisa sem parecer ridículo.
Para quem não sabe, porém, informo que nem sempre foi assim.
Antes das revoltas de 1968, quando tudo mudou na nossa parte do mundo, a juventude tinha menos prestígio. Homens e mulheres maduros eram a referência do mundo, e havia, da parte de garotas e rapazes, urgência em tornar-se um deles: mães de família respeitáveis, homens grisalhos com autoridade.
Nelson Rodrigues*, um reacionário genial dessa época, deu aos jovens um conselho definitivo: “Envelheçam”.
Hoje, ninguém mais diria isso.
Ser jovem, se possível para sempre, é o sonho das multidões.
Os que ainda têm 20 anos andam pela rua com um olhar de impaciência sobre os pobres coitados que passaram dos 30, deixando para trás o apogeu da existência. Quem cruzou a linha dos 40, e vê o tempo abrir-se numa curva que leva a lugar nenhum, inveja a aparência e as atitudes de quem ainda se acha imortal.
Milhões de seres humanos buscam comportamentos e produtos para adiar o avanço do tempo. Manter-se jovem, no corpo e na alma, é a grande utopia do nosso tempo.
Do alto dos meus 57 anos, observo essa obsessão com ironia.
Como qualquer pessoa da minha idade, tenho inveja do vigor e da beleza física dos jovens, e às vezes gostaria de ter a leveza de espírito e facilidade de aprender que eles têm. Posto isso, não vejo motivo para ter 20 ou 30 anos de novo.
Não foi tão bom quando eu estava lá, e, de qualquer forma, acabou.
Voltar para a própria juventude (se isso fosse possível) seria como retornar a uma casa onde eu morei na infância, ou encontrar alguém que amei no passado. Por cinco minutos estaria bem, mas, logo depois, se instalariam a angústia e a nostalgia.
Nós, humanos, somos fadados a viver os episódios da nossa tragédia uma única vez, e depois prosseguir.
Não há retorno ou permanência.
Outro dia, pensando nessas coisas, me ocorreu que uma das maneiras de estar bem com a passagem do tempo talvez seja modificar a própria vida, constantemente. A repetição soa como estagnação aos nossos sentidos, e estagnação se assemelha a morte. Se a gente consegue mudar os hábitos e os objetivos, se a gente arruma um jeito de começar de novo (no amor, no trabalho, nos planos), é provável que o entusiasmo que a gente identifica com a juventude ressurja e permaneça.
O que é ser jovem, afinal, senão descobrir novidades todos os dias, e achar tudo interessante, por ser novo?
Talvez a coisa que mais envelheça as pessoas, no mal sentido, é achar que as surpresas que estavam reservadas para elas se esgotaram. A mulher pega o metrô na terça-feira sabendo que não vai conhecer ninguém que mudará o seu destino. O cara espera a semana que vem com a convicção de que não trará nenhuma novidade. Eu já estive desiludido e vazio - anos atrás, por um longo período - e descobri que a vida acaba abrindo uma portinha. Se a gente estiver vivo, pode cruzá-la.
Mas é preciso estar disposto, e muita gente não está.
Se isso vai parecendo uma receita, não é.
Minhas angústias não me autorizam a ensinar felicidade. As alternativas que cada um encontra para lidar com a passagem do tempo são pessoais. Minhas respostas não servem para você. As suas não servem para mim. Há diferenças entre homens e mulheres. O que fazemos aqui, e em toda parte onde se conversa, é trocar experiências e ouvir histórias. Nas minhas, há sempre uma mulher que aparece do nada – depois de muita procura – e imprime um novo sentido aos meus dias. Mas ela só adquire essa importância porque eu permito. Porque, de alguma forma, tenho estado aberto às modificações que o afeto impõe ao meu jeito de viver. Se a minha vida estivesse pronta e congelada, se mudar fosse impossível ou indesejável, que sentido haveria em ter alguém que entrasse pela porta sorrindo? Nenhum.
As pessoas não se aproximam de nós para ser coadjuvantes. Nem nos acolhem para que tenhamos na vida delas um papel secundário. Se a gente não abre espaço ao inesperado, ele vai embora.
É claro que nada disso - amor, mudanças, novos planos - vai tornar qualquer um mais jovem.
A juventude é algo que se esgota.
Depois dela, vem o que havia antes dela: a vida em outro momento, com novas demandas e diferentes alegrias. Vai continuar havendo sexo e paixões. De vez em quando haverá dor. Mas, em vez de maltratar o outro e a si mesmo, como fazem os jovens apaixonados (por falta de experiência e de clareza), viveremos o amor com mais gosto e menos sofrimento. A maturidade, como intuía o Nelson Rodrigues, também tem vantagens.
                    (Por Ivan Martins)


*:Nelson Falcão Rodrigues (1912-1980).
Teatrólogo, jornalista, romancista,
e cronista brasileiro. 













● Uma visão de Arte. Uma fotografia de... Inge Prader.

Século XXI. Um novo encontro com Gustav Klim.
Andando pela internet. Encontrou-se com a bailarina e jornalista 
Mylena Fontes.
Ela, no seu sitio http://www.zupi.com.br/ publicou as fotos do projeto
de criação do austríaco Inge Prader. 
Ele recriou as famosas obras de Gustav Klim. Mas, com um detalhe.
                      Com modelos vivos.
Reproduziu fielmente as composições e cores do fabuloso pintor.
Criou fotografias* intensas. Fabulosas.
Vejam:




















*: Essas criações foram apresentadas no “Life Ball”.
Maior evento europeu (Viena) que dá apoio às pessoas
infectadas com AIDS. É uma ONG criado em 1992.
● Fonte: http://www.zupi.com.br/















  

A Arte de ... Chad Knight (1978) e seu mundo... Imaginário.
Este artista digital estadunidense cria obras.
Assustadoras.
Nada associado ao mundo real.
Mas, cheias de beleza e como diz ele:

“ tão fortemente codificado que eu posso compartilhá-lo
 com o mundo e torná-lo facilmente entendível .”

Vejam alguns de seus trabalhos. Surpreenda-se.